Quando a desesperança bate à porta, o pior a fazer é ser bom hospitaleiro

Todos sabemos que a vida é feita de momentos bons e de momentos maus. 

Mas um dia o cansaço instala-se na luta para alcançar aquele sonho pelo qual se luta. E aparece a grande questão: “Para que é que me continuo a esforçar?”

Sandra é professora, tem pouco mais de quarenta anos, é casada e mãe de 2 jovens recém formados. “Um dia parece que tudo mudou, deixei de ter importância, diziam que sim a tudo, mas não ouviam o que eu dizia, tornei-me transparente!”

“Comecei por achar que era impressão minha, depois pedi explicações e fiquei sem resposta. Comecei a perceber que não existo. Vou da casa para a escola, da escola para casa, trato das refeições e da casa, prepara o trabalho para as aulas e volto para a escola.” Relata com a voz embargada. “Os meus filhos falam entre si ou com amigos por mensagens, o meu marido tem o grupo de amigos dos carros e das motas. Se está em casa, vê futebol. Eu sobro, estou só!”

Quando a desesperança se instala a pessoa deixa de ver o óbvio e só ouve aquilo que muitas vezes nem é a realidade. A falta de esperança conhece os medos de cada um e alimenta-se deles, ampliando-os.

“Não volto para as aulas, não adianta, não consigo! Fartei-me de estudar e as notas são sempre uma porcaria…” , diz Luís que abandonou o curso de farmácia após várias experiências de insucesso, aumentou de peso e, agora, passa o dia em frente ao computador.

As noites mal dormidas, o cansaço e a falta de vontade em levantar de manhã, a dificuldade em lidar com as tarefas do dia a dia levam as pessoas a desistir de forma a terminar com o sofrimento que as invade.

A desesperança assenta no que julgamos saber, que é normalmente pouco, e a esperança constrói-se naquilo que ignoramos, que é tudo aquilo com sonhamos.

A desesperança é um estado depressivo que se abate sobre a pessoa. O corpo reage defensivamente às perdas de objetivos e aos fracassos, provocando paragens, perdas vontade, como se estivesse a poupar a energia.

As forças esgotam-se, começam pensamentos de análise repetitivos e a pessoa sente que não sabe por onde há-de ir. 

É aqui que entra a compreensão e apoio familiar, a ajuda na análise de alternativas de forma a fazer renascer a esperança e ganhar forças para continuar.

Mas muitas vezes este apoio, por maior que seja, não chega. Quando o medo já se instalou com sintomas de dificuldades em dormir, cansaço físico e mental, irritabilidade, ausência de gostos e de desejos, alterações alimentares e outros sintomas físicos, está na hora de procurar ajuda profissional.

No entanto, devo salientar que os fármacos (indispensáveis em situações específicas) não resolvem o problema que deu origem ao estado de mal-estar emocional (e até físico) em que se encontra. É necessária terapia direcionada à história individual de cada um, sendo que a terapia com recurso às técnicas de hipnose clínica é a solução mais rápida e eficaz. 

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