OS TAGARELAS QUE NÃO PARAM QUIETOS

Começo por dizer que os tagarelas e os irrequietos (miúdos ou graúdos) não desligam porque não percebem que necessitam de o fazer. E, quando procuram o “pause” não o encontram.

            Estou a falar daquelas pessoas que começam a falar do trânsito, passam para o carro do pai, para a mãe que foi ao hospital, o médico que não apareceu, o filho que ficou na escola, (…) e só conseguimos dizer: “- Ah sim?…e…. olhe…”(mas ninguém nos ouve!);

Ou daquela pessoa que chega, sistematicamente, atrasada a todos os lugares, completamente stressada, lamenta-se com voz agitada do muito que fez, do que ainda lhe falta fazer e que não vai conseguir terminar…

São pessoas com Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA). Trata-se de um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, diagnosticado a 7 – 8% das crianças (cerca de 100 mil crianças em Portugal) e que, em  60% destas,  se mantem ao longo da vida. 

Até há pouco tempo acreditava-se que a PHDA era coisa das crianças e que desaparecia na idade adulta, mas isto nem sempre acontece. Isto leva a que a maior parte dos adultos com hiperatividade não saiba que a têm. Contudo, nervosismo, ansiedade, depressão, perturbações do sono, dificuldades no relacionamento familiar e social, na memória, (…) acabam por levar as pessoas com PHDA a procurar tratamento. 

Afinal, o que é a PHDA?

 A PHDA caracteriza-se por dois tipos de sintomas: falta de atenção e hiperatividade-impulsividade.

As crianças são impulsivas e desatentas, tem dificuldade de concentração e na gestão do tempo, são incapazes de estar quietas ou em silêncio. Na escola, saem do seu lugar, são impacientes e não terminam as tarefas.

Os adultos são incapazes de ficar muito tempo parados (mexem pés, mãos, levantam-se), têm mudanças de humor repentinas, discutem por qualquer coisa, são desorganizados, esquecidos, distraídos, enganam-se e erram com facilidade.

PHDA testa qualquer relacionamento.

A paciência e o amor são postos à prova a toda a hora e todos os dias.

“Só agora começo a perceber porque é que o meu pai berrava tanto comigo, eu não parava quieto em lado nenhum… a minha mulher passa a vida a dizer que o meu filho é igual ao pai… e é verdade” declarou o Joaquim, quando recebeu o diagnóstico do filho.

Rita, 45 anos e engenheira, sofre de ansiedade, nasceu numa aldeia onde a professora lhe chamava ‘cabeça no ar’ .“Eu andava sempre na lua e adorava os recreios! Mas era uma guerra para fazer os trabalhos de casa… quando vim para a Faculdade perdi-me entre os amigos e a cidade. Já tinha os meus filhos quando acabei o curso”.

Muitas vezes, professores e família perdem a cabeça. Há dias, o pai de um paciente dizia-me que tinha medo de levar o filho ao restaurante, porque ele só fazia asneiras e as pessoas diziam que eram os pais que não o sabiam educar. 

Para uma vida adulta mais saudável e feliz, o tratamento é fundamental e quanto mais cedo melhor!

Embora em algumas situações seja recomendável o uso de medicamentos, a minha experiência diz-me que uma terapia bem estruturada e organizada, com recurso a técnicas de hipnose clínica e à análise cuidada das dinâmicas familiares e dos ambientes, dá excelentes resultados.

            Tão importante como o tratamento, a família precisa de conhecer a forma especial de agir e pensar das pessoas com PHDA para poder alcançar a paz. Acredite nelas e apoie-as, vai descobrir que são pessoas muito intuitivas e sensíveis que, quando tratadas, são muito competentes.  

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