As “Dis”, as dúvidas e as etiquetas que nos limitam

Ter um filho com dificuldades para aprender não é nada fácil. Estão em causa muitas horas, nossas e deles, à volta dos trabalhos de casa, notas que não correspondem ao que sabemos que eles estudaram e dúvidas sobre se é o grau de preguiça e desinteresse que pode explicar tudo isto…

São as “Dis”, Dislexia – Disortografias – Disgrafias – Discalculias, das vidas dos nossos filhos que, sem darmos conta, podem andar para aí a complicar. São as Dificuldades (Dis) nas palavras lidas (Dislexia) nas palavras escritas (Disortografia), no desenho da escrita (Disgrafia) e no cálculo (Discalculia).

Uma das situações com a qual me deparo com frequência no meu dia-a-dia é a de semelhança de queixas entre crianças, adolescentes, jovens e, também,  adultos. Falam-me de tristeza, culpa, preocupação, confusão, vergonha e falta de crença em si próprios. Os resultados escolares nunca correspondem ao esforço despendido, mesmo quando têm nota positiva.

Tudo começa com as primeiras letras, os primeiros horários a cumprir, a responsabilidade em terminar, a obrigação de aprender. De um dia para o outro, passar a ser um entre muitos e com muitas regras a cumprir não é tarefa fácil para todos.

Todos lhe diziam: “Pedro, trabalha, estás sempre distraído!”, “Acaba a ficha…é sempre a mesma coisa, não fazes nada de jeito!”, “Vai fazer os deveres, és um preguiçoso!”, “Só fazes asneiras!”, “Assim, não vais ser ninguém na vida!”.

No fundo, o Pedro tinha medo de dizer que não conseguia fazer. Com o passar do tempo, deixou de ter vontade de executar qualquer tarefa escolar. Achava-se burro, tinha vergonha e sentia que era um problema para a família porque não fazia nada de jeito. Começou a ter dores de barriga, dores de cabeça, a comer mal e, por tudo e por nada, chorava.

O Pedro, como qualquer criança, não era preguiçoso. O Pedro queria ter sucesso e queria agradar à professora e aos pais. O Pedro tinha dificuldades e tinha medo.

Hoje, felizmente, já muitas crianças são identificadas na escola e encaminhadas, pelos seus professores, para tratamentos adequados. Adultos que viveram com vergonha e criticados pela preguiça e más notas, são frequentemente pessoas assustadas, ansiosas e têm medos diversificados.

A dislexia é uma perturbação neurodesenvolvimental, que acompanha a pessoa ao longo da vida. Não é uma deficiência, nem se trata de uma desgraça. A criança, ou qualquer estudante, terapeuticamente acompanhado a nível pessoal e aconselhado a nível familiar e escolar pode e deve ter sucesso e ser feliz.

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